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23 de Abril de 2017
O futuro da Rádio web
FUTURO
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 A partir da presença do rádio na internet, muitos pesquisadores têm buscado entender e tipificar esta nova mídia. Pelo viés da tecnologia, poderíamos nomear dois modelos de radiofonia: 1. Radiofonia analógica: emissoras que realizam transmissões analógicas através de irradiação e modulação das ondas eletromagnéticas, também chamadas de rádios hertzianas; 2. Radiofonia digital: a) emissoras de rádio Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008 3 hertzianas com transmissão digital e b) emissoras de rádio com existência exclusiva na internet ou webradios. No caso específico deste trabalho, o objeto é o rádio digital com transmissão pela internet, que denominamos webradio. Podemos afirmar que existem hoje três modelos de rádio e a pesquisa deste trabalho fundamenta-se nesse pressuposto: 1. Emissoras hertzianas; 2. Emissoras hertzianas com presença na internet e 3. Emissoras com presença exclusiva na internet, as webradios. Quando se fala que o futuro da radiofonia está na digitalização, provavelmente a referência não seja exatamente o rádio digital hertziano. A tão propalada revolução que deveria ser provocada pelo rádio digital hertziano, possivelmente vai demorar muito para acontecer aqui no Brasil. As mudanças tecnológicas vieram tarde demais e o avanço da internet pode jogar por terra as expectativas em torno dessa nova forma de fazer e ouvir rádio. Em 2005, o Núcleo de Pesquisa em Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) criou um grupo para pesquisar exclusivamente a implantação do rádio digital no Brasil e os resultados, apresentados nos congressos da entidade realizados em Brasília, em 2006 e Santos, em 2007, mostraram que o rádio digital, em nosso país, está apenas engatinhando, e há pouco interesse real das emissoras em implantar essa nova tecnologia. Os levantamentos apontam que as emissoras estão tímidas com relação aos investimentos e temerosas quanto à receptividade do público. De qualquer forma, o rádio digital deverá ser implantado no Brasil em 2008 mas, certamente, o termo "revolução" é pesado demais para definir o processo. O rádio digital, na verdade, oferece possibilidades, além de uma melhor qualidade de som, de recursos que ampliam os formatos de programação atualmente conhecidos e novos canais de interatividade. O rádio na web é também uma forma de radiofonia digital, só que muito mais ampla, muito mais dinâmica, que abarca um número maior de novas possibilidades de gêneros e formas de interação. A webradio também é de fácil operacionalização e manuseio, fatores determinantes para o sucesso de qualquer tecnologia. Não é à toa que hoje em dia a transmissão radiofônica via internet faz parte do dia-a-dia de associações, ONGs, comunidades diversas e universidades, sendo tarefa impossível precisar o número de emissoras que estão na rede. Quando se fala que o futuro do rádio é digital, percebe-se que isto não quer dizer necessariamente a digitalização das ondas hertzianas, mas uma nova forma de transmissão que se dá pela internet. III. Webradio hoje A rádio Klif, no Texas, Estados Unidos, foi a primeira emissora comercial a transmitir de forma contínua e ao vivo através da internet, a partir de setembro de 1995. A criação desta emissora jogou por terra todos os pressupostos conhecidos até então sobre radiodifusão, como necessidade de concessão, presença de elementos visuais, interação em tempo real e, é claro, a ausência do bom e velho aparelho de rádio. Aqui no Brasil, a webradio só chegou três anos depois dos Estados Unidos. No dia cinco de Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008 4 outubro de 1998 entrou em funcionamento a rádio Totem, a primeira emissora brasileira com existência apenas na internet (BUFARAH JÚNIOR, 2003) A webradio tem uma homepage na internet por meio da qual podem ser acessadas as outras páginas da emissora. Na homepage aparecem o nome da emissora, geralmente um slogan que resume o tipo de programação e vários hiperlinks para os outros sites que abrigam as diversas atividades desenvolvidas pela rádio. Várias novidades são oferecidas pelas webradios, como chats, podcasts, biografias de artistas, receitas culinárias, fóruns de discussão, letras cifradas de músicas, etc. Há também fotografias na homepage e nas outras páginas, tanto imagens publicitárias, quanto fotos de artistas e de funcionários da emissora. Há também vídeos e infografia. Um detalhe, porém, difere o site da webradio de tantas outras páginas da internet: um botão para a escuta sonora da rádio. Ao clicar nesse ícone, o usuário poderá ouvir a transmissão radiofônica. Mas, para entender a mensagem transmitida, não é preciso o auxílio visual da página, que pode ser minimizada. A mensagem tem sentido apenas pelo áudio. A transmissão sonora da webradio é muito semelhante a qualquer outra a que estamos acostumados: música, notícia, prestação de serviços, promoções, esporte, programas comandados por comunicadores. É importante destacar, também, que a webradio não pode ser acessada, ao mesmo tempo, por uma massa incontável de usuários, pois o número de acessos simultâneos é limitado e depende da configuração técnica do servidor. Assim, pelo menos por enquanto, cada webradio tem um número máximo de ouvintes simultâneos. No Brasil, aos poucos, o rádio na internet vai colocando no ar novos formatos. É verdade que tudo ainda é muito incipiente. O período atual pode ser comparado à época em que a TV começou a se desenvolver no país, no início da década de 60. Como os programadores da nova mídia não sabiam o que produzir para a televisão, a saída óbvia foi colocar rádio dentro da TV, isto é, os primeiros programas televisivos eram cópias fiéis dos tradicionais programas radiofônicos. Além disso, o pessoal que aparecia em cena e as câmeras não tinham a movimentação tão comum hoje em dia, pois, na realidade, eles faziam rádio, só que transmitido com imagem. Na busca por uma linguagem específica do veículo, houve uma evolução e hoje a televisão tem o seu próprio caminho. Na webradio, acontece processo semelhante. Os programadores e webdesigners ainda não descobriram as incontáveis possibilidades proporcionadas pela radiofonia na internet e repetem ainda, em muitos casos, a fórmula hertziana nas páginas da web. Obviamente que isso é apenas o começo. A internet acaba de completar 15 anos e não se pode cobrar de uma jovem debutante a maturidade e a solidez das velhas mídias. Mas o caminho já foi aberto e, aqui e ali, percebe-se a vontade de transpor as barreiras analógicas em busca de algo absolutamente novo, algo que apenas o meio digital pode proporcionar. Desde as primeiras experiências com a rádio RUI, a rádio Uirapuru de Itapipoca (BUFARAH JÚNIOR, 2005), até as emissoras que hoje disponibilizam novidades como podcasts, fóruns, chats, etc, percorreu-se um longo caminho no sentido de buscar o papel e o sentido da radiofonia dentro do contexto multimídia. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Natal, RN – 2 a 6 de setembro de 2008 5 O suporte internet foi responsável, por exemplo, por mudar as oito características clássicas do rádio, determinadas por Ortriwano (1985) e estudadas em todos os cursos de comunicação: na internet, a radiofonia continua sendo oral e permanece o diálogo mental com o ouvinte, mas também é textual e imagética; continua a ser transmitida no tempo da vida real do usuário, mas agora tem alcance mundial e permite o acesso posterior aos conteúdos transmitidos. E com o avanço da tecnologia, a webradio vai ganhar autonomia, mobilidade e baixo custo. É apenas uma questão de tempo. É importante, nesta discussão, retomar a questão da convergência multimídia, tema de debate hoje em todo o mundo. Muito se discute sobre qual aparelho irá reunir as preferências no papel de concentrar todas as mídias. O telefone celular parece ser o preferido, por agregar, num pequeno e móvel dispositivo, funções de áudio, vídeo, telefonia, texto e internet. Existem hoje, em todo o mundo, cerca de três bilhões de telefones celulares em uso, três vezes mais que o número de computadores. O rádio será, então, liquidado? Não, se soubermos delimitar até onde vai a radiofonia e aonde começam outras mídias. Se não for traçado esse limite, então num futuro próximo não haverá como recuperar o papel da transmissão apenas sonora, já que será tudo uma coisa só, numa única plataforma multimídia. Na nossa avaliação, o rádio tem dois elementos definidores, não importa o suporte. O primeiro é o som, que tem sentido por si próprio, sem a necessidade do apoio do texto ou da imagem. Outra questão definidora é a sincronia, isto é, a transmissão radiofônica deve acontecer no tempo da vida real do ouvinte. 


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